14 de outubro de 2013

'Sem esforço e sem exemplo' - artigo da escritora Lya Luft


Não creio que a gente ande tão ruim de português por causa das redes sociais, dos torpedos no celular. Essa reclamação tem cheiro de mofo.

O interessante é que, embora digam que se lê pouco, as editoras vendem mais que nunca, bienais e feiras ficam lotadas, e mesmo assim não conseguimos nos expressar direito, nem oralmente nem por escrito. Se lemos mais, por que escrevemos e falamos mal?

Penso que, coisas verificadas há trinta anos em meus tempos de professora universitária, andamos com problema de raciocínio. Não aprendemos a pensar, observar, argumentar (qualquer esforço maior foi banido de muitas escolas), portanto não sabemos organizar nosso pensamento, muito menos expressá-lo por escrito ou mesmo falando. "Eu sei, mas não sei dizer", "Eu sei, mas não consigo escrever isso"" são frases ouvidas há muito tempo, tempo demais.

A exigência aos alunos baixou de nível assustadoramente, e com isso o ensino entrou em queda vertiginosa. Tudo deve parecer brincadeira. Na infância, ensinam a chamar as professoras de tias, coisa com que, pouco simpática, sempre impliquei: tias são parentes. Professoras, ou o carinhoso profes, ou pros, são pessoas que estão ali para cuidar, sim, mas também para educar já os bem pequenos. Modos à mesa, civilidade, dividir brinquedos, não morder nem bater, socializar-se enfim da maneira menos selvagem possível.

Depois, sim, devem educar e ensinar. Sala de aula é para trabalhar: pátio é para brincar. Não precisa ser sacrifício, mas dar uma sensação de coisa séria, produtiva e boa.

Por alguma razão, lá pela década de 60 inventamos — melhor: importamos — a ideia de que ensinar 6 antipático e aprender, ou estudar, é crueldade infligida pelos adultos. Tabuada, nem pensar. Ortografia, longe de nós. Notas, abolidas: agora só os vagos conceitos. Reprovação seria o anátema. É preciso esforçar-se, e caprichar, para ser reprovado.

Resultado: alunos saindo do ensino médio para a faculdade sem saber redigir uma página ou parágrafo coerente e em boa ortografia em seu próprio idioma!

O acesso à universidade, devido a esse baixo nível do ensino médio, reduziu-se a um facilitaris-mo assustador. Hordas de jovens entram na universidade sem o menor preparo. São os futuros bacharéis que não vão passar no exame da Ordem. Na medicina e na engenharia, o resultado pode ser catastrófico: ali se lida com vidas e construções. Em lugar de querer melhorar o nível desse ensino, cogita-se abolir o exame da Ordem. Outras providências desse tipo virão depois. Em vez de elevarmos o nível do ensino básico, vamos adotar o método da não reprovação. Em lugar de exigirmos mais no ensino médio, vamos deixar todos à vontade. pois com tantas cotas e outros recursos vão ingressar na universidade de qualquer jeito.

Além do ensino e do aprendizado, facilitamos incrivelmente as coisas no nível da educação, isto é. comportamento, compostura, postura, respeito, civilidade.

Alunos comem, jogam no celular, conversam, riem na sala de aula — na presença do professor que tenta exercer sua dura profissão — como se estivessem no bar. Tente o professor impor autoridade, e possivelmente ele. não o aluno malcriado. será chamado pela direção e admoestado. Caso tenha sido mais severo, quem sabe será processado pelos pais.

Não estou inventando: nesta coluna não escreve a ficcionista, mas a observadora da realidade.

A continuar esse processo antieducação, e nos altos escalões o desfile de péssimos exemplos, impunidades, negociatas e deboches — além do desastroso resultado do julgamento do mensalão, apesar de firulas jurídicas —, teremos problemas bem interessantes nos próximos anos em matéria de dignidade e honradez. Pois tudo isso contamina o sentimento do povo. que somos todos nós, e pior: desanima os jovens que precisam de liderança positiva.

Resta buscar ânimo em outras pastagens, para não desistir de ser um cidadão produtivo e decente.

O artigo da escritora Lya Luft foi publicado na edição do dia 7 de outubro da revista Veja

11 de outubro de 2013

Lixo nosso de cada dia


O sorocabano foi pego de surpresa com a notícia de que a coleta de lixo no município ficará prejudicada com a rescisão contratual entre a Prefeitura e a empresa Gomes Lourenço, responsável pelo serviço. Todos querem saber o que será feito a partir de agora.

Aprovamos uma lei proibindo a importação de lixo, mas a exportação é algo possível. O grande problema é que uma hora ou outra podemos ficar na mão. Penso que toda cidade deveria ter o seu próprio local de descarte. O ideal seria uma usina de tratamento de resíduos, uma solução moderna e totalmente de acordo com a legislação ambiental.

Para isso, imagino que a melhor opção seria uma PPP (Parceria Público-Privada). A Prefeitura teria o controle da concessão, mas a operação seria feita de forma terceirizada. A Câmara já autorizou esse tipo de contrato.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, prevê a redução de resíduos, incentivando o aumento da reciclagem, juntamente com a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. O tratamento do material envolve etapas, como a coleta, separação do material reciclável, incineração dos não-recicláveis e o aterro dos resíduos do forno.

O local propício para a construção dessa usina de tratamento de resíduos é a Zona Norte, acima do rio Sorocaba. Inclusive nessa região, a América Latina Logística (ALL) informou, recentemente, que pretende implantar o novo traçado férreo, circunstância estrategicamente muito conveniente.

A boa gestão direciona esforços nesse sentido. De nada adianta fazer reuniões de planejamento se não houver competência administrativa. É impossível conter a produção de lixo; muito menos deixar de descartá-lo.

Enquanto uma política pública consistente não acontece, torçamos para que as vias da cidade não fiquem imundas e emporcalhadas, em decorrência da falta de atitudes dos agentes, em anos anteriores, que deixaram de fazer a coisa certa pelo povo.

9 de outubro de 2013

CPI da Saúde realiza fiscalização durante a madrugada para verificar presença de médicos plantonistas nas unidades


Vereadores que compõem a CPI da Saúde percorreram, na madrugada desta quarta-feira (9), diversas unidades da rede municipal para verificar a presença de médicos plantonistas no atendimento a pacientes. Foram fiscalizados cinco locais.

José Crespo (DEM), Anselmo Neto (PP), Pastor Apolo (PSB) e o presidente da comissão, Izídio de Brito (PT), saíram da Câmara às 2h, em trajeto definido pelo grupo minutos antes. No Pronto-Socorro Municipal da Santa Casa, os vereadores constaram que os plantonistas são obrigados a deixar a unidade para fazer as refeições fora, pois o hospital não oferece alimentação e nem possui lanchonete. “Percebo que a solução será a Santa Casa colocar comida à disposição dos médicos durante a jornada de plantão”, argumentou Crespo, apontando que a situação constatada foi “menos ruim do que a verificada no período normal”.

Após a diligência à Santa Casa, os vereadores se dividiram em dois grupos. Izídio e Anselmo Neto foram aos centros de Saúde de Brigadeiro Tobias e do Éden; Crespo e Apolo partiram às unidades de Pronto Atendimento da Zona Oeste e da Zona Leste. Não houve irregularidades verificadas nessas localidades.

Na próxima terça-feira (15), os membros da CPI da Saúde se reunirão para apresentar o relatório completo da diligência, discutir e propor novos encaminhamentos.

4 de outubro de 2013

Justiça determina que Prefeitura obrigue fiscais a comparecem ao PS Municipal da Santa Casa em período ininterrupto


A Vara da Fazenda Pública de Sorocaba determinou na sexta-feira (04) que a Prefeitura cumpra o artigo 3 da Lei Municipal 10.445/13, obrigando que a equipe composta pela médica Janet Junko Yui, pela dentista Márcia Cristina Walter, pelas enfermeiras Lucimari Santos Usuda e Maria Cristina de Goes Pereira da Silva, pela auxiliar de enfermagem Sandra Mara Guará e pelo técnico de enfermagem José Eduardo Daré cumpra o regime de fiscalização no Pronto Socorro Municipal da Santa Casa em período ininterrupto, sob pena de multa diária de R$ 1 mil para cada dia de descumprimento.

A decisão, movida após ingresso judicial do vereador José Crespo (DEM), é do juiz José Eduardo Marcondes Machado, que acatou a ação cominatória de obrigação de fazer com pedido de antecipação de tutela em caráter de urgência.

Em seis vistorias ao PS Municipal da Santa Casa, Crespo não encontrou nenhum dos fiscais responsáveis e designados pelo prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) por aferir o atendimento à população naquela unidade.

Segundo o artigo 3 da Lei Municipal 10.445/13, esses profissionais deveriam fiscalizar o atendimento hospitalar do PS Municipal da Santa Casa na própria unidade, relatando as escalas de médicos e enfermeiros à Secretaria Municipal de Saúde.

CPI das Obras Atrasadas conclui trabalhos após entrega de relatório final a órgãos competentes


A CPI 001/13 das Obras Atrasadas concluiu na sexta-feira (04) os trabalhos, com a entrega do relatório final a órgãos competentes, que irão analisá-lo e tomar as medidas que se julgarem necessárias.

O presidente da CPI, vereador José Crespo (DEM), preparou três volumes, contendo as conclusões e anexos dessa comissão, para as seguintes instituições: Prefeitura Municipal de Sorocaba, na pessoa do seu chefe, o prefeito Antonio Carlos Pannunzio; Ministério Público do Estado de São Paulo, na pessoa do seu chefe, o procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, na pessoa do seu chefe, o conselheiro-presidente Antonio Roque Citadini.

Para cada um desses, Crespo pediu a análise e as providências de alçada, com as punições administrativas, cíveis e criminais dos responsáveis pelos referidos atrasos e decorrentes danos públicos e sociais.

3 de outubro de 2013

Crespo solicita melhorias do sistema viário no entorno do Shopping Pátio Cianê e sugere prolongamento de via


No intuito de melhorar as condições viárias no entorno do Shopping Pátio Cianê, previsto para inaugurar em novembro, o vereador José Crespo (DEM) solicita ao prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), por meio da Indicação 1.685/13, o prolongamento da rua Armando Zuliani, na margem da via férrea.

Conforme Crespo, “é dever do Poder Público implementar programas estratégicos de gerenciamento do trânsito, que estabeleçam contrapartidas físicas adequadas na implantação de polos geradores de tráfego, que proporcionem a mitigação dos seus efeitos sobre a circulação e a mobilidade sustentável”.

Dessa forma, o democrata sugere que desapropriações aconteçam na localidade proposta, citando as ruas Miranda Azevedo e Armando Zuliani, passando pelo imóvel do CEI 16 até a avenida General Osório, no entroncamento com a avenida doutor Afonso Vergueiro e do pontilhão da via férrea na Praça da Bandeira.

Crespo aponta que com esse ‘novo’ traçado da rua Armando Zuliani, o fluxo de veículos provenientes da pista da avenida doutor Afonso Vergueiro, no sentido centro-bairro, “acontecerá sem auxílio de semáforo, bastando o motorista manter-se à direita da via; já o fluxo de veículos provenientes da rua Miranda Azevedo, no sentido centro-bairro, com destino à Zona Norte, acontecerá em trajeto desviado pela rua Saldanha da Gama até alcançar a rua Francisco Scarpa, por meio do novo trecho proposto entre as ruas Padre Luiz e Francisco Scarpa, para retorno na Praça da Bandeira, com acesso ao novo traçado da rua Armando Zuliani”.

1 de outubro de 2013

Vereador solicita informações sobre refeições nos plantões médicos municipais


Após realizar diversas diligências em unidades básicas de saúde, pronto atendimentos municipais e até mesmo no pronto-socorro da Santa Casa, o vereador José Crespo (DEM) questiona à Prefeitura de Sorocaba sobre as refeições nos plantões médicos. Membros da CPI da Saúde constataram a ausência de profissionais nos locais de trabalho, sob essa alegação.

Crespo conversou com coordenadores das referidas unidades verificadas, que simplesmente informaram que os médicos se ausentam nos horários das refeições, “desconhecendo” os endereços para localizá-los e os horários de seu retorno.

Os membros da CPI observaram, incluindo Crespo, que esses médicos têm se ausentado nos horários de refeições mesmo com uma fila acumulativa de pacientes na recepção das unidades e até mesmo nos corredores.

O democrata quer saber qual a estipulação legal e contratual à alimentação dos médicos nos plantões de 12h, 8h, 6h e 4h contínuas.